domingo, 29 de abril de 2012

Castelo de Pedra



              No Castelo de Pedra vivia um coração, onde ninguém tinha acesso, pois era trancado e ninguém sabia quem portava a chave.
               Com o tempo, as construções desse Castelo ruíram e o coração aflito estava à mercê de qualquer um que quisesse ter acesso a ele. Sem proteção, poderia ser atacado a qualquer momento.
            Desprotegido, o coração resolveu interagir com aqueles que transitavam no lugar, mas já era tarde, porque a velhice chegou e as forças já se esgotavam. Não tinha forças nem para ao menos  terminar a única frase que tentou dizer em toda sua vida.
           Não faltavam apenas forças... Por jamais ter usado as palavras para qualquer momento (oportunidade), discursar/falar tornou-se uma atividade inatingível para o coração (seria a primeira vez a exercitar). Como uma criança que pronuncia as primeiras palavras, o coração tentaria o mesmo ato - agora já bastante velho-, só que sem ninguém para ajudá-lo (auxiliá-lo)...

           Assim, em silêncio, triste e sozinho falece o pobre coração. 

                                                                                                                               (Mara Oliveira)


8 comentários:

Guru do Metal disse...

um dos textos mais bonitos que já ví entre tantos blogs que já visitei. a pessoa têm que ter o coração preparado e não fechado, quem têm coração de pedra não é feliz.

Rafaela monara disse...

lindo texto amei copiei com devidos créditos !!! bjs

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http://adamlevinebrasil.blogspot.com.br/

Ítalo Richard disse...

Muito bonito o texto, uma leitura leve e gostosa. parabéns!

www.todososouvidos.blogspot.com

Uiran Porcincula disse...

A moral da história...
Esse coração chegou a amar ou não?
Desculpa minha ignorância, pois são 3 da manha e estou com sono kkkk

www.meudentedeleite.blogspot.com

Mara Oliveira disse...

Uiran Porcincula, infelizmente não. O coração não chegou a amar, nem ao menos conseguiu falar. Morou todo o tempo emoldurado em um castelo de pedra e quando o castelo ruiu, pela velhice e por não utilizar suas habilidades da oratória não conseguiu interagir com ninguém. E teve um fim trágico: morreu sozinho e sem jamais ter amado.

Obrigada pela visita! Seja sempre bem-vindo! ;)

Uiran Porcincula disse...

Como pode alguém nascer, crescer e viver com um único propósito que é amar e sofrer.
Corações foram feitos para amar. No dia em que deixamos de amar, podemos nos considerar mortos. "Nós somos movidos a paixão"
Acho que não existem corações que morrem assim como sua história.

Mara Oliveira disse...

Uiran Porcincula, estamos em um espaço dedicado à literatura, que é um campo de possibilidades. Jamais poderia afirmar com absoluta certeza "A" ou "B". Quanto à sua visão sobre a questão de não existir corações (como o da minha história) é sempre bem-vinda, ninguém é obrigado a acreditar no que lê, muito menos no que dizem... Desde que se respeite o espaço, opiniões iguais e diferentes são e serão sempre bem-vindas! :)

Nelson Souzza disse...

Belo blog, Mara! Parabéns pelo excelente trabalho! Estou seguindo o seu blog (42). Teria um enorme prazer se você também seguisse o meu.Um abraço!